"As empresas não entenderam as mídias sociais", "Como as empresas estão se adaptando às redes sociais", "5 passos para bombar sua marca nas mídias sociais". Quantos títulos assim você lê por dia?

De fato, as empresas não estão preparadas. Já deu pra perceber que o processo é mais amplo do que simplesmente fazer uma conta no Twitter e sair postando. Aparentemente, a maioria das empresas não entendeu qual é a sacada das mídias sociais. Mas permita-me lhe contar um segredo: você também não. E nem eu, e nem qualquer um desses milhares de especialistas em social media que brotam de todos os cantos.

A questão é que essa dita "revolução" causada pelas ferramentas da web 2.0 é novidade pra todo mundo e, considerando que a cada dia surgem novidades na área, ninguém está completamente ciente do que fazer, do que dá certo, de como engajar as pessoas em torno de sua marca através do online. O que existe são tentativas, estratégias, planos, estudos detalhados que envolvem o planejamento estratégico da empresa (que servem tanto para o online quanto para o offline). Estes fatores, aliados, podem fazer com que a ação da empresa nas "mídias sociais" tenha sucesso - ou não. A rede é imprevisível.

Ainda não temos como calcular e prever os resultados exatos de uma ação em social media. É claro que alguns passos podem dar o tom do planejamento, mas no fim das contas, nunca se sabe como a rede irá reagir. Existem diversas campanhas que "teriam tudo" pra viralizar. Em compensação, quem é que explica o fenômeno do Rick Roll?

Lembro que quando o Google Buzz foi lançado, em menos de 15 minutos alguém tuitou: "Consultor Sênior em Google Buzz, com larga experiência de mercado e resultados comprovados para a sua marca". Foi uma piada, é claro, e isso representa bem o que chamamos em um último post de vulgarização do marketing digital. Ao mesmo tempo que está todo mundo experimentando e testando as melhores práticas em social media, muita gente ainda enche a boca pra falar "a empresa tal não entendeu as mídias sociais". Nem eu. Nem você. Bingo!

É evidente que, como qualquer área, há pessoas/empresas que são referências em Social Media. São aqueles cases que encantam nossos olhos em palestras e infográficos por aí. Ainda assim, estas pessoas/empresas estão totalmente passíveis de experimentação e erro. Um exemplo é a Dell, que é referência em Social Media de 9 entre 10 palestras, mas que eu já pedi um simples descadastro do mailing umas 4 vezes e ainda não fui atendida. Por causa disso ela deixa de ser referência? É claro que não.

Créditos: Alex Primo

Em compensação, está ocorrendo uma supervalorização das mídias sociais nesse sentido. Veja bem, não estou dizendo que elas não são importantes, mas creio que APENAS estratégias digitais não salvam empresa nenhuma. E que Social Media não é o umbigo do mundo. Tem que ter muita coisa no backstage pra dar certo: não adianta um banco ter um perfil de Twitter super bacana se o internet banking não funciona. Sabe aquela coisa de limpar a casa antes de abrir? De fato as empresas estão nuas - e a máxima do teto de vidro se torna cada vez mais real. O que só prova que não basta fazer uma promoção de RT para estar "na onda das mídias sociais".

Não estou querendo dizer que Social Media é um bicho de sete cabeças. Pelo contrário, pelo menos pra mim a fórmula poderia ser mais simples do que parece: relacionamento + conteúdo. O problema é o COMO fazer. E isso estamos aprendendo juntos - já temos diversos cases que comprovam a eficácia de ações bem planejadas em mídias sociais. Ou melhor, tem gente disposta a aprender, e tem gente que apenas defende seu ponto de vista e reclama que os outros estão fazendo errado.

Em que grupo você se encaixa?